Publicado por: umbraebelfagor | Setembro 25, 2006

Cuidado com a Lingua!

Misturadas, calinadas, pontapés na gramática, erros de pronúncia, brasileirismos, é disto tudo que trata o novo programa da RTP1.

http://195.245.179.232/EPG/tv/epg-janela.php?p_id=21216&e_id=&c_id=1

Apresentado por Diogo Infante e tendo como voz off a jornalista Maria Flor Pedroso o “Cuidado com a Língua” é um pequeno período de 15 minutos todas as sextas onde a língua portuguesa ( e suas derivadas) é a rainha.

Os vários temas sucedem-se a um bom ritmo, ficando-se sempre com vontade de ver mais quando o programa acaba.

É de realçar o grafismo do programa, as pequenas animações que antecedem cada tema, que saltam à vista pela qualidade.

Tudo isto, musica, grafismo, conteúdo, curiosidades, perfazem um quarto de hora bem passado depois do telejornal.

Já era necessário algo assim na grelha televisiva portuguesa. Hoje em dia, a era em que mais se maltrata a nossa língua nos meios de comunicação social, nunca é demais estas chamadas de atenção que, espero eu, envergonhem muitos apresentadores que andam aí sem saber falar.

Não são só os apresentadores, nas próprias novelas, assiste-se a um jorro de pronúncias fechadas, má dicção e erros sintácticos.
Já que, não sei se felizmente ou infelizmente, muita gente é educada e moldada pelo que acontece dentro da “caixinha que mudou o mundo” era de bom-tom recuperar algumas tradições e profissões.

Que falo eu?

Antigamente os apresentadores tinham aulas próprias para aprenderem a falar bem. Pronúncia, língua portuguesa, dicção, etc… A partir de uma certa altura deixou-se esse bom hábito, a preocupação pela Língua já não era tanta e era até, para muitos, envergonhante ensinar doutores a falar
Pelo que vejo, e pelo que o “Cuidado com a Língua” denuncia, esse tais “doutores” precisam de aprender a manipular o instrumento do seu ofício.

Depois, e não só por culpa dos media, na rua, os erros repetem-se, agigantam-se e são tidos como coisa certa. Alarvidades que até ofenderiam Camões e Eça são bradadas aos quatro céus e quando alguém com algum bom senso alerta para a verdadeira forma do vocábulo ou expressão é tido como picuinhas, “convencido” ou ainda “intelectualóide”.

É necessária humildade para aprender a falar!

Ando, ouço e reproduzo.
Como a língua se altera com o seu uso.

Publicado por: umbraebelfagor | Setembro 19, 2006

Conservas para todos

Nos meus frequentes passeios pela nossa linda capital deparo-me com lojas, para mim curiosas e singulares, que pretendo divulgar aqui.

Umas pelo que vendem, outras pela exclusividade do que vendem, muitas pela decoração e ambiente que criam, etc…

Cada uma é única, cada uma é singular, espero que se sintam curiosos e as vão visitar.

Caminhando, a passo rápido, pela rua dos Bacalhoeiros deparei-me com a Conserveira de Lisboa ( nº 34). Uma placa à porta avisa-nos que é um espaço antigo, fundado em 1930. Menos de um século de existência, mas imenso tempo, considerando que as lojas de comércio tradicional de hoje em dia são antigas se não forem substituidas por uma loja de chineses ou telemóveis passado um ano.

Nesta loja vende-se conservas de todos os tipos. Atum, sardinha, carapau, cavala, ovas de bacalhau são apenas algum dos nomes que se distribuiem em embalagens de cores diferentes pelas paredes da loja.
Há uma sensação de tradicional e antigo mal se põe os pés na Conservaria, o chão é calçada portuguesa com o logotipo da loja ( uma alduteração do brazão de lisboa, em que a barca é substituida por um peixe), a um canto há uma caixa registadora das antigas que ainda funciona ( diz orgulhosamente a senhora que ao fundo da loja embrulha à mão as latas de conserva) e as própias latas ostentam um desenho que nos transporta para tempos idos.


Por calorice decidi comprar uma lata de Atum Trincana com molho de tomate picante. Descubro então, pela voz de um empregado brazileiro que as marcas
de conservas (Trincana, conservas de alta qualidade em azeite, Prata do Mar e Minor, conservas de peixes menores) estão registadas em 25 paises Europeus. Chefes,
lojas de gourmets e restaurantes estrangeiros vêm de proposito a Lisboa para
comprarem os produtos da loja.

“Trabalho aqui há 43 anos e tenho 85!” Diz-me a senhora Maria de Jesus quando lhe peço para tirar uma fotografia.
É a anfitriã da loja, é ela que me conta o que é preciso saber, sem nunca descançar
as mãos que embrulham constantemente.


É bom que se sigam os exemplos desta loja, que aposta na qualidade para vencer as
grandes empresas.

Publicado por: umbraebelfagor | Setembro 17, 2006

Quero guerrear!!!!

O mundo Islâmico está, outra vez, em polvorosa.

Já cá estou à alguns anos neste mundo e nunca vi aqueles lados em paz e sossego.

Desta vez a motivação para a violência no médio oriente foi a citação do Papa durante uma visita a uma universidade na Alemanha.

Não vou comentar o conteúdo da mensagem em si, outros o farão por mim, sobre o que quero reflectir é a reacção dos líderes do Islamismo.
O Papa Bento XVI citou um antigo Imperador, (morto e enterrado, cujos bichos da terra já o comeram) não para atacar a religião Islâmica, mas para vincar a sua posição que religião alguma devera ser usada como propósito para a violência. Por duas vezes ele referiu que não era a sua opinião, mas apenas um citação para se compreender a mensagem que queria transmitir.

Resultado?

Uma onda de protestos violentos em nome da religião (onde já ouvi isto?), ataques a templos cristãos, queimar imagens do Papa em praça publica, protestos anti-papa, etc…
Lideres dos principais países Muçulmanos votaram moções de censura e exigiram pedidos de desculpa ao Vaticano.
O Vaticano pediu desculpas, os protestos continuaram. Se é uma ofensa aos Maometanos referir a violência que é feita em nome do Profeta, então que ofensa será para os cristãos queimarem o seu líder e atacarem as suas igrejas?
Também não consigo compreender o que é que eles querem que o mundo cristão faça para atenuar a ofensa. O Vaticano já emitiu uma explicação, com um pedido de desculpas pelo meio, mas segundo o que li nos jornais, os líderes religiosos não acharam suficiente.
Bem, deixo aqui algumas sugestões que circulam pelos países onde andaram os profetas a boca miúda. Talvez o a Papa deva auto flagelar-se em público, talvez deva meter-se na praça para ser apedrejado, ou então deva proclamar o Islamismo a religião oficial do Vaticano.

Os países Muçulmanos na actualidade lembram-me os países Cristãos da idade média. Valores bastante parecidos, extremismos, intolerância, são apenas alguns dos factores que me fazem aparecer esta comparação. Agora imaginem se dessem tecnologia, os meios de comunicação e o contacto com um mundo mais civilizado a esses povos da idade média. Exacto! Aconteceria o que se vê hoje no médio oriente.

Voltando ao tema. O mundo oriental quer mostrar-se forte, mais forte que o ocidental. Um dos exemplos é o Irão, que pelo andamento da carruagem, falarei mais tarde. Querem desafiar os outros países, as outras culturas, os outros credos, para se mostrarem superiores. Como que a sua honra patriótica e religiosa estivesse em causa, por tudo e por nada levantam ondas de protesto e violência contra todo e qualquer símbolo ocidental.

Por vezes é a América, outras vezes as outras religiões e, não tantas raras vezes, contra uns aos outros.
Faz-me lembrar uma história, verídica, que me contavam de um homem da aldeia da minha mãe. Todos os dias ao acordar, ia para um sitio com um razoável ajuntamento popular ( leia-se taberna ou semelhante) e começava a gritar “Quero guerrear!!!! Eu quero guerrear!!!”. O que é que ele queria? Isso mesmo, guerrear. Só se sentia bem metido em confusões e a mostrar a sua força nalgum conflito. E lá conseguia, pegava com qualquer coisa ínfima e construía uma discussão a partir daí.

Agora vendo o prisma de outro ângulo. Uma coisa que aprendi, e todos os dias tento ser melhor, na minha longa caminhada.

É também verdade que o Papa devia ter bastante cuidado com o que diz, os seus discursos são planeados ao pormenor e revistos imensas vezes antes de serem proferidos.

Não percebo então, sabendo o Vaticano o quão sensíveis são os Maometanos, deixaram passar a tão famosa citação.
Será que o fizeram de propósito? Será que pensavam que ninguém iria pegar com ela? Mas também é verdade, se começarmos a pensar em todas as microscópicas coisas que poderão ofender os Islamitas não poderemos falar neles senão com grande reverência e grandiosidade. Tal como os seus líderes referem sempre o seu povo.

Viajo, comento e escrituro. Como o mundo religioso pode ser tão duro.

Nota: Os artigos de opinião, e talvez os outros artigos todos, por vezes parecerão excessivos ou extremistas. Que fique assente para que todos vejam que é apenas um recurso para tornar a imagem que quero transmitir mais forte.

Publicado por: umbraebelfagor | Setembro 17, 2006

Apresentação ou Autopsicografia?

Condenado a eternamente na Terra errar, por caminhos incertos e terras de pasmar. Sem descanço, sem poiso, assisto à História que passa por mim e acena.
Serei eu prisioneiro desta jornada eterna?

Este é o meu relato, das coisas que vejo, dos lugares que marcam a minha mente, dos acontecimentos que não têm voz, ou os que precisam de uma diferente.

Sou o viadante. Vejo, calo e escrituro.
O perpétuo andante. Tento, inutilmente, mudar o futuro

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