Misturadas, calinadas, pontapés na gramática, erros de pronúncia, brasileirismos, é disto tudo que trata o novo programa da RTP1.
http://195.245.179.232/EPG/tv/epg-janela.php?p_id=21216&e_id=&c_id=1
Apresentado por Diogo Infante e tendo como voz off a jornalista Maria Flor Pedroso o “Cuidado com a Língua” é um pequeno período de 15 minutos todas as sextas onde a língua portuguesa ( e suas derivadas) é a rainha.
Os vários temas sucedem-se a um bom ritmo, ficando-se sempre com vontade de ver mais quando o programa acaba.
É de realçar o grafismo do programa, as pequenas animações que antecedem cada tema, que saltam à vista pela qualidade.
Tudo isto, musica, grafismo, conteúdo, curiosidades, perfazem um quarto de hora bem passado depois do telejornal.
Já era necessário algo assim na grelha televisiva portuguesa. Hoje em dia, a era em que mais se maltrata a nossa língua nos meios de comunicação social, nunca é demais estas chamadas de atenção que, espero eu, envergonhem muitos apresentadores que andam aí sem saber falar.
Não são só os apresentadores, nas próprias novelas, assiste-se a um jorro de pronúncias fechadas, má dicção e erros sintácticos.
Já que, não sei se felizmente ou infelizmente, muita gente é educada e moldada pelo que acontece dentro da “caixinha que mudou o mundo” era de bom-tom recuperar algumas tradições e profissões.
Que falo eu?
Antigamente os apresentadores tinham aulas próprias para aprenderem a falar bem. Pronúncia, língua portuguesa, dicção, etc… A partir de uma certa altura deixou-se esse bom hábito, a preocupação pela Língua já não era tanta e era até, para muitos, envergonhante ensinar doutores a falar
Pelo que vejo, e pelo que o “Cuidado com a Língua” denuncia, esse tais “doutores” precisam de aprender a manipular o instrumento do seu ofício.
Depois, e não só por culpa dos media, na rua, os erros repetem-se, agigantam-se e são tidos como coisa certa. Alarvidades que até ofenderiam Camões e Eça são bradadas aos quatro céus e quando alguém com algum bom senso alerta para a verdadeira forma do vocábulo ou expressão é tido como picuinhas, “convencido” ou ainda “intelectualóide”.
É necessária humildade para aprender a falar!
Ando, ouço e reproduzo.
Como a língua se altera com o seu uso.
